Icaro Schultze
A guerra fria entre COI, União Europeia e os comitês olímpicos ucraniano e russo
Icaro Schultze
Professor e ativista esportivo
icaro.schultze@gmail.com
Bonjour! Comment ça va? Estamos vivendo uma guerra fria entre o Comitê Olímpico InternacionaI, a União Europeia e os comitês olímpicos ucraniano e russo, cada um com seus interesses particulares e nenhum buscando um real posicionamento sobre como dar exemplo e trabalharem com forças mútuas para defender ideais olímpicos como o respeito mútuo entre os povos e um mundo sem guerras. Thomas Bach, presidente do COI, estuda possibilidades e defende a participação da Rússia e de Belarus em Paris, defendendo que seria discriminatório e uma violação à carta olímpica a exclusão dos países.
A União Europeia condena esta tentativa de inclusão e ameaça o COI com o apoio de 27 países do bloco, mais os Estados Unidos, que acreditam que os Jogos serão usados para fins de propaganda, o que contraria o isolamento amplo dos dois países, Rússia e Belarus. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia chamou de hipócrita e patético o presidente do COI e deixou claro que a presença de atletas russos e belarrussos iria contra todos os padrões morais, esportivos e políticos, principalmente levando em conta que muitos atletas medalhistas russos representam clubes esportivos do exército de seu país. Zelenski, presidente da Ucrânia, deixou claro que a única resposta possível a Moscou seria o completo isolamento dos países inimigos. Sendo assim, a Ucrânia está considerando um boicote aos jogos.
Anna Hidalgo, prefeita de Paris também, se manifestou contrária à participação de Rússia e Belarus "enquanto bombas ainda choverem na Ucrânia", não apoiando nem mesmo a presença dos atletas sob bandeira neutra. A prefeita propõe que os atletas deveriam participar sob a bandeira dos refugiados, significando que são dissidentes russos e não apoiam Putin. Porém, o Comitê organizador dos jogos de Paris segue as normas do COI e não as recomendações da cidade sede. Enquanto isso, as seletivas e índices olímpicos já começaram. O COI chegou a sinalizar a possibilidade desses atletas disputarem os eventos pré-olímpicos da Ásia, evitando assim duelos com ucranianos. O vice-ministro dos esportes da Rússia afirmou que os atletas do país também foram convidados a disputar os eventos pré-olímpicos da África, porém os comitês africanos defendem a participação dos atletas russos com bandeira neutra, ou seja, sem bandeira russa nem hino.
O COI não estabeleceu um prazo para discutir a participação dos russos e belarrussos nas Olimpíadas, mas recomenda que as federações liberem os atletas para disputar competições. A entidade máxima do Movimento Olímpico acompanha os desdobramentos da guerra na Ucrânia para tomar uma decisão. O Comitê Olímpico Russo está se preparando, apesar de participação incerta. Em 2019 a Rússia foi banida por quatro anos por causa de um escândalo de Doping. Nos jogos do Rio em 2016, os russos também foram banidos em algumas modalidades por causa do mesmo escândalo. Em Tóquio, os atletas russos participaram sob uma bandeira neutra. Existem várias exigências para a Rússia, pós a punição do doping, como multas e cumprimento de regras rígidas de antidoping e transparência no fornecimento de informações sobre violações. Ou seja, a Rússia tem problemas recentes gravíssimos junto ao movimento olímpico que transcendem a guerra e maximizam a discussão sobre o seu banimento.
Enquanto houver guerras, haverá conflitos dos mais diversos e em todos os setores. A guerra é traiçoeira, coloca irmãos de lados opostos em um meio a um Coliseu com leões. A paz é sempre o Norte, mas também é a porta estreita, é necessário que todos se entendam para que avancemos no caminho. Saudações Olímpicas. Au revoir.
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